sexta-feira, 13 de junho de 2008

ESTRANHO AMOR


Pela Rua


[
...]
Sem qualquer esperança
te espero
Na multidão que vai e vem
entra e sai dos bares e cinemas
surge teu rosto e some
num vislumbre
e o coração dispara. [...]


Ferreira Gullar
. Toda poesia. São Paulo, Círculo do livro, pág. 240.



O Amor é uma Companhia


O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

(Alberto Caeiro)



Passei Toda a Noite


Passei toda a noite, sem dormir, vendo sem espaço a figura dela,
E vendo sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.

(Alberto Caeiro)



Desencontro


Encontros desencontrados
Casos não terminados
Visões de paraíso
Que não parecem reais
Ainda assim tão perfeitas
Longe e muito perto.

Marlucy




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