domingo, 21 de maio de 2017

Dez Chamamentos

Ao Amigo

de Hilda Hilst


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
(I)
[Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ENIGMA DA VIDA



Existem pessoas que apenas passam em nossa vida. Surgem de forma fluída e da mesma forma desaparecem, não nos causam muito impacto e não faz nenhuma diferença por isso.Por outro lado, há pessoas específicas que de um jeito avassalador nos prendem. Mexem conosco de tal maneira, que não nos reconhecemos diante de nossas próprias atitudes e emoções. Um encontro apenas é suficiente para despertar em nós algo diferente e totalmente inexplicável.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cora Coralina 


Aninha e suas pedras


Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.


Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça

[...]

quarta-feira, 10 de junho de 2015

"CAVERNAS"

 ...muitas são as cavernas em que nos envolvemos e pensamos ser a realidade absoluta.




"Reinventar-me não é apenas necessário, é vital. Isto não é uma escolha, a vida é quem vai ditando as regras com maestria, seja com sofrimento ou não, ela está sempre certa. Me redescobri e  recomeçar é o que me cabe fazer." 

domingo, 24 de agosto de 2014



"OPERÁRIOS" DE TARSILA DO AMARAL, 1933.


Entende-se por texto tudo o que for possível  de compreensão  e interpretação.
Nesse caso, uma obra de arte, uma rica obra de arte. Aspecto de linearidade. Pessoas em série. Cabeças de homens e mulheres, todos com a mesma expressão. E não é de festa, muito menos de alegria. De todas as etnias, de todo o Brasil .As chaminés marcam o fundo do quadro representando as fábricas nas quais essas pessoas trabalham. E são exploradas, tal é a face triste e cansada delas. 
Na década de 30, vive-se uma época de industrialização no Brasil em que os trabalhadores são a massa oprimida que aspiram a um "grito". Pelo menos um "grito". 

domingo, 20 de julho de 2014

SOLIDÂO




Que minha solidão me sirva de companhia.

que eu tenha a coragem de me enfrentar.

que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir

como se estivesse plena de tudo.

Clarice Lispector

quarta-feira, 9 de julho de 2014

AINDA QUE MAL



ainda que mal respondas;

ainda que mal te entenda,

ainda que mal repitas;

ainda que mal insista,

ainda que mal desculpes;

ainda que mal me exprima,

ainda que mal me julgues;

ainda que mal me mostre,

ainda que mal me vejas;

ainda que mal te encare,

ainda que mal te furtes;

ainda que mal te siga,

ainda que mal te voltes;

ainda que mal te ame,

ainda que mal o saibas;

ainda que mal te agarre,

ainda que mal te mates;

ainda assim te pergunto

e me queimando em teu seio,

me salvo e me dano: amor.



Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 21 de maio de 2013

A VIDA É SONHO

 
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
Uma sombra, uma ficção;
O maior bem tristonho,
Porque toda a vida é sonho
E os sonhos, sonhos são.
 
 
 Do livro A vida é sonho de Calderón de la Barca.
 
 
 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A MAGIA DO ENCONTRO


Há muitas pessoas que convivem, porém nunca viveram a magia do encontro. A magia de perceber o outro. Criar intimidade com o outro. Anos não importam, o tempo passa e por muitos passa despercebido. Infelizmente. Não deixam marcas. E nunca deixarão, se não houver antes de qualquer coisa, o envolvimento consigo mesmo. Eu em mim. Sentindo a delícia de ser uma pessoa. Esta pessoa. Assim do jeito que sinto. Que me sinto. Essa relação antecede todas as outras e deve ser a melhor. Ouvindo as minhas necessidades, as minhas queixas, mas também curtindo cada coisa conquistada ao longo da vida. Reprovando aquele comportamento insano com a colega de trabalho, mas vibrando com um ato de generosidade que sou impelida a praticá-lo. É necessário olhar para o eu, primeiro. E reconhecer-se um alguém único. Só depois disso, olhar para o outro e enxergá-lo para além dos olhos. Enxergá-lo em sua essência. Não com uma avalanche de palavras, ditas bem intencionadas, mas com o silêncio de quem ouve e sente o outro ao lado. Assim acontece o verdadeiro encontro. Somente assim...


terça-feira, 24 de abril de 2012

REALIDADE

Nem sempre realidade
é aquilo que a gente tem.
O que se sente cá dentro
que ninguém percebe ou vê
no eu real escondido
ora doce ora dorido
feliz ou tão esmagado,
já morto ou desabrochado
profundamente guardado;
é nossa realidade.
É nossa grande verdade.
É nossa vida também.

Cyra de Queiroz Barbosa

sábado, 19 de novembro de 2011

POEMA: NOTURNO

Não sei por que, sorri de repente
E um gosto de estrela me veio na boca...
Eu penso em ti, em deus, nas voltas inumeráveis que fazem os caminhos.

Em Deus, em ti, de novo...
Tua ternura simples...
Eu queria, não sei por que, sair correndo descalço pela noite imensa
E o vento da madrugada me encontraria morto junto de um arroio,
Com os cabelos e a fronte mergulhados na água límpida...
Mergulhados na água límpida, cantante e fresca de um arroio!

( Do livro O aprendiz de feiticeiro de Mário Quintana)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

TEXTO: HAPPY END



O meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente



(Cacaso)


O "final feliz"  tão propalado nos filmes de amor, a idealização do amor, não passa de um lugar-comum! !!!!! Ter um amor sonhado é fácil,  conquistá-lo de verdade é que são elas... Nesse pequeno grande texto, Cacaso, destrutivamente,  extermina o imaginário romântico do "final feliz", contrapondo o ideal (amor perfeito) ao real ( ainda falta conhecer a pessoa amada).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CARTA A UMA SENHORA

A garotinha fez esta redação no ginásio:
“Mammy, hoje é dia das Mães e eu desejo-lhe milhões de felicidades e tudo mais que a Sra. sabe. Sendo hoje o dia das Mães, data sublime conforme a professora explicou o sacrifício de ser Mãe que a gente não está na idade de entender mas um dia estaremos, resolvi lhe oferecer um presente bem bacaninha e fui ver as vitrinas e li as revistas. Pensei em dar à Sra. o radiofono Hi-Fi de som estereofônico e caixa acústica de 2 alto-falantes amplificador e transformador mas fiquei na dúvida se não era preferível uma TV legal de cinescópio multirreacionário som frontal, antena telescópica embutida, mas o nosso apartamento é um ovo de tico-tico, talvez a Sra. adorasse o transistor de 3 faixas de ondas e 4 pilhas de lanterna bem simplesinho, levava para a cozinha e se divertia enquanto faz comida. Mas a Sra. se queixa tanto de barulho e dor de cabeça, desisti desse projeto musical, é uma pena, enfim trata-se de um modesto sacrifício de sua filhinha em intenção da melhor Mãe do Brasil.   

Falei de cozinha, estive quase te escolhendo o grill automático de 6 utilidades porta de vidro refratário e completo controle visual, só não comprei-o porque diz que esses negócios eletrodomésticos dão prazer uma semana, chateação o resto do mês, depois encosta-se eles no armário da copa. Como a gente não tem armário da copa nem copa, me lembrei de dar um, serve de copa, despensa e bar, chapeado de aço tecnicamente subdesenvolvido. Tinha também um conjunto para cozinha de pintura porcelanizada fecho magnético ultra-silencioso puxador de alumínio anodizado, um amoreco. Fiquei na dúvida e depois tem o refrigerador de 17 pés cúbicos integralmente utilizáveis, congelador cabendo um leitão ou peru inteiro, esse eu vi que não cabe lá em casa, sai dessa!

Me virei para a máquina de lavar roupa sistema de tambor rotativo mas a Sra. podia ficar ofendida deu querer acabar com a sua roupa lavada no tanque, alvinha que nem pomba branca, Mammy esfrega e bate com tanto capricho enquanto eu estou no cinema ou tomo sorvete com a turma. Quase entrei na loja para comprar o aparelho de ar condicionado de 3 capacidades, nosso apartamentinho de fundo embaixo do terraço é um forno, mas a Sra. vive espirrando, o melhor é não inventar moda.

Mammy, o braço dói de escrever e tinha um liqüidificador de 3 velocidades, sempre quis que a Sra. não tomasse trabalho de espremer laranja, a máquina de tricô faz 500 pontos, a Sra. sozinha faz muito mais. Um secador de cabelo para Mammy! gritei, com capacete plástico mas passei adiante, a Sra. não é desses luxos, e a poltrona anatômica me tentou, é um estouro, mas eu sabia que a minha Mãezinha nunca tem tempo de sentar. Mais o quê? Ah sim, o colar de pérolas acetinadas, caixa de plástico perolado, par de meias, etc. Acabei achando tudo meio chato, tanta coisa para uma garotinha só comprar e uma pessoa só usar, mesmo sendo a Mãe mais bonita e merecedora do Universo. E depois, Mammy, eu não tinha nem 20 cruzeiros, eu pensava que na véspera deste Dia a gente recebesse não sei como uma carteira cheia de notas amarelas, não recebi nada e te ofereço este beijo bem beijado e carinhosão de tua filhinha Isabel.”

(CARLOS  DRUMMOND DE ANDRADE )
Texto extraído do livro Crônicas 5 – Coleção Para Gostar de Ler/ São Paulo: Ática. 2005


ANÁLISE



Conversa fiada de uma menina, seriedade nenhuma, um desabafo ingênuo, seria mesmo? Ledo engano! Por trás de um discurso inocente, Drummond  provoca uma critica social. Trata-se de uma extraordinária crônica que a princípio nos conta uma "''historinha"   sem maiores consequências, num tom pra lá de leve,  entretanto é capaz de fazer-nos sentir coisas grandiosas. Ao mesmo tempo que ironicamente questiona valores da sociedade impostos pelo capitalismo de uma forma tão profunda... 
Ao lançar mão de uma personagem infantil, o autor capta ainda mais a simplicidade, o bom humor, a sensibilidade de uma menininha que  sem nenhum  dinheiro consegue desfilar na imaginação os vários presentes que gostaria de dar a sua mãe no seu dia. Até faz-nos acreditar que de fato os daria, se não fosse um pequeno detalhe, não é? 
É como se ela tivesse do lado de fora de uma vitrine imensa, olhando todos os objetos maravilhosos, eletrodomésticos, eletroeletrônicos que solucionariam todos os problemas da casa, quiça, da vida daquela mãe, tão assoberbada de afazeres infindáveis...
Mas que, na verdade, quem dá esses superpoderes aos tais presentes é a propaganda  que cria aspirações e necessidades transformando-os em bens ideais para as pessoas. Pura invenção! De quem?  Fruto da sociedade de consumo que cruelmente esbanja o ter a todo custo, só quem tem, faz parte dela... Aos outros resta apenas o olhar invejoso e inacessível...por saber que a falta de dinheiro os separa dos outros...ou então, os valores sentimentais, como um beijo carinhoso desta filha na sua mãe é tudo o que sobra...ou o que é suficiente...



 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MÚSICA: EU PRECISO APRENDER A SER SÓ



Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.

Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.

Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."

GILBERTO GIL




sábado, 4 de junho de 2011

POEMA: SUFOCO



            O AMOR, ESSE SUFOCO,
AGORA HÁ POUCO ERA MUITO,
            AGORA, APENAS UM SOPRO


            AH, TROÇO DE LOUCO,
CORAÇÕES TROCANDO ROSAS,
            E SOCOS




PAULO LEMINSKY. Distraídos venceremos. São Paulo , Brasiliense, 1987.

quinta-feira, 26 de maio de 2011



Ismália



Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Alphonsus de Guimaraens

Publicado no livro Pastoral aos crentes do amor e da morte: este poema, integrante da série "As Canções", foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45.


Análise

Dos escritos de Alphonsus de Guimaraens, Ismália é o mais popular. Nele, as relações entre corpo e alma ou matéria e espírito são postas em evidência. Quando refere-se a céu e mar,  significa que o céu recebe a alma; logo, liga-se ao aspecto espiritual; o mar recebe o corpo , logo, representa o universo material.
Todo o texto  é construído com base em  antíteses: perto, longe; subiu, desceu, as quais  articulam-se em torno de desejos contraditórios de Ismália, que se dividem entre a realidade espiritual e a realidade  concreta.
Poema simbolista que retrata bem o movimento literário do qual faz parte, ao valorizar os aspectos interiores e pouco conhecidos da alma e da mente humana. Como por exemplo, nas palavras "enlouqueceu", "sonhar", "desvario" .
Quanto aos aspectos formais do texto, estes ligam-se à tradição medieval, assim como no Romantismo. Faz uso da redondilha maior, de versos ritmados e de estruturas paralelísticas, como: "Viu uma lua no céu,/ Viu uma lua no mar", recursos comuns na poesia medieval.
Enfim, é um poema de transcendência espiritual. Por meio da morte, Ismália transcende o mundo  material e integra-se ao cosmos. Sem dúvida, a personificação do Simbolismo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

RESUMO SOBRE VIDAS SECAS





O LIVRO VIDAS SECAS DE GRACILIANO RAMOS CONTA A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA DE RETIRANTES: FABIANO, SINHÁ VITÓRIA E SEUS DOIS FILHOS. AH, E A TÃO ESTIMADA CACHORRA BALEIA.  SAÍRAM DA CAATINGA FUGINDO DA SECA E ATRAVESSARAM O SERTÃO PERNAMBUCANO COM A ESPERANÇA DE ENCONTRAR  UM LUGAR MELHOR PARA VIVER. NÃO QUERIAM MORRER DE FOME. ATÉ QUE NA DURA TRAVESSIA ENCONTRARAM UMA FAZENDA VELHA ABANDONADA.  INSTALAM-SE NELA E  POR UM INSTANTE  FABIANO SENTE-SE NUM PARAÍSO. SONHA QUE DIAS MELHORES VIRÃO.
FABIANO ESTAVA RADIANTE, AFINAL ESTAVAM VIVOS, E ISSO ERA TUDO. CUIDOU DOS POUCOS ANIMAIS QUE RESTAVAM  VIVOS NA FAZENDA, SE DAVA MUITO BEM COM OS BICHOS E   SENTIA-SE COMO UM DELES.
O DONO DA FAZENDA FINALMENTE REAPARECEU E QUAL NÃO FOI SUA SURPRESA AO VER QUE SUA FAZENDA ESTAVA EM MÃOS ALHEIAS. CONTUDO GOSTOU DO FATO DE QUE ESTAVA SENDO CUIDADA POR FABIANO. E DEU-LHE O CARGO DE  CAPATAZ.  ELE FICOU FELIZ, POIS ATÉ DINHEIRO GANHARIA!
FABIANO ERA MESMO UM HOMEM DE POUCA SORTE. CERTA FEITA, PRECISOU IR À CIDADE FAZER COMPRAS, BEBE UMA PINGA E É CONVIDADO PARA UM JOGO DE CARTAS PELO”SOLDADO AMARELO”. AMBOS PERDEM DINHEIRO. COM ISSO FABIANO DECIDE IR EMBORA, MAS O SOLDADO O PROVOCA, PISANDO EM SEUS PÉS. FABIANO SOLTA UM PALAVRÃO, O QUE O FAZ SER PRESO E SURRADO HUMILHANTEMENTE.  NA CADEIA, A REVOLTA E O DESALENTO LHE CONSOMEM.
SUA MULHER AO SABER DISSO CAI NA DESILUSÃO, AO PERCEBER QUE OS SEUS SONHOS NUNCA SE CONCRETIZARÃO E QUE A MISÉRIA SÓ PIORA A CADA DIA.
O MENINO MAIS NOVO, QUE GOSTAVA MUITO DO PAI, AINDA  ALIMENTAVA O DESEJO DE SER COMO ELE, O DE  SER VAQUEIRO. JÁ O MAIS VELHO, VIA O SOFRIMENTO DE SUA MÃE  E AQUILO O ANGUSTIAVA TERRIVELMENTE.
COM A CHEGADA DO INVERNO, AQUELA POBRE FAMÍLIA ALEGROU-SE, POR QUE  AS CHUVAS  CAÍRAM NAQUELE CASTIGADO SERTÃO.  AS ESPERANÇAS VOLTARAM. PODIAM SER FELIZES!
NESSE CLIMA DE BONANÇA, ATÉ O NATAL COMEMORARAM.  USANDO ROUPAS E SAPATOS NOVOS, SENTIAM-SE MAL. PARECIA NÃO TEREM SIDO FEITOS PARA A CIVILIZAÇÃO. SINHÁ VITÓRIA MANTEVE-SE NA IGREJA E CONSEGUIA DISFARÇAR, MAS FABIANO  SAIU DO RECINTO, TAL FOI O INCOMÔDO. FOI ATÉ A BODEGA, BEBEU, QUIS BRIGAR COM TODO MUNDO, MAS NINGUÉM LHE DEU ATENÇÃO. PARECIA NEM EXISTIR. VOLTOU  MAIS UMA VEZ HUMILHADO PARA SUPORTAR AQUELE DESCONSOLO DE FESTA.
LOGO DEPOIS DESSE EPISÓDIO, A CACHORRA BALEIA ADOECE A FABIANO A SACRIFICA, TEMENDO QUE SOFRA DE HIDROFOBIA E PASSE O MAL PARA  OS MENINOS. SINHÁ VITÓRIA RELUTOU NÃO QUERIA PERDER SUA CADELA.  OS MENINOS FORAM LEVADOS PARA O QUARTO. A CACHORRA QUIS FUGIR DA MORTE, CORREU O MAIS QUE PÔDE, MAS JÁ ESTAVA FERIDA, PENSOU EM MORDÊ-LO ,MAS COMO PODIA CONTRARIÁ-LO, SEMPRE FORA OBEDIENTE AO SEU DONO,  COMO UMA ESPÉCIE DE ALUCINAÇÃO “PENSOU” NOS SEUS ÚLTIMOS DESEJOS E NÃO MAIS VIVEU.
COMO SE NÃO BASTASSE ESSA TRISTEZA, FABIANO É LESADO PELO SEU PATRÃO, NO RECEBIMENTO DO PAGAMENTO. E APESAR DE AS CONTAS DO PATRÃO NÃO COINCIDIREM COM AS DE SINHÁ VITÓRIA, NÃO SE DEFENDE. AO CONTRÁRIO, HUMILHA-SE E PEDE DESCULPA AO PATRÃO.
FABIANO ERA UM  HOMEM SUBSERVIENTE POR NATUREZA. TIVERA A CHANCE DE VINGAR-SE DO SOLDADO AMARELO, MAS NÃO O FEZ. O REEENCONTRA DEPOIS DE UM ANO DA INJUSTA PRISÃO. ELE ESTAVA PERDIDO NA CAATINGA, E EMBORA QUISESSE  VINGANÇA, ACABA CURVANDO-SE E ENSINANDO O CAMINHO AO SOLDADO.
OUTRO PERÍODO DE SECA SE APROXIMAVA, E  ELES  PRECISAVAM  PARTIR MAIS UMA VEZ. ARRUMAM AS COISAS E VÃO PARA O SUL, CUMPRIR A TRISTE SINA!

RESUMO VIDA DE DROGA




Dora, uma garota de família rica perde o chão quando seu pai perde o emprego e vai trabalhar na Amazônia. Os pais se separam. Perdem tudo. A mãe, ela e seu irmão mudam-se para um bairro pobre e ela não se adapta a nova vida.
Começou a namorar com Gui, primo de Emília, uma amiga rica. E foi com ele que descobriu o mundo das drogas.
No início fazia pequenos furtos em casa, depois passou a roubar som de carro, claro, influenciada pelo namorado. Até que a polícia os pegou: ela, Elias, um traficante e Gui. Este último levou um tiro ela fugiu. A mãe quis saber, mas ela fugiu de casa e foi morar numa casa abandonada com Elias.
Não demorou muito até que a polícia os achou e a mãe dela foi informada. do ocorrido. Foi julgada inocente e foi para a clínica de reabilitação. Saiu de lá curada. Foi para casa, a família a recebeu  bem, mas ela achava que ninguém a amava  e procurou Edmundo, um amigo,  que conhecera no hospital. Ele era ex-usuário, mas lhe ofereceu crack e ficaram vivendo juntos. Até o momento em que ele resolveu viajar por uma semana e não mais voltou. 
Ela procurou vários amigos, pediu ajuda, mas ninguém a acolheu. Daí foi para a rua para tentar viver como prostituta, mas não dava para o negócio. Tornou-se mendiga. Cansou da rua e procurou a mãe de Elias, Dona Clarice, que a ajudou e depois chamou a mãe dela. Mais uma vez sua mãe tenta ajudá-la e o seu padrasto Paulo paga um novo tratamento. Ela recuperou-se, mas não volta para casa, pois o clima  de hostilidade era constante.
Finalmente conseguiu um emprego no shopping  de vendedora. Tudo parecia estar bem, até que ela reencontrou com Naldo, usuário de droga, que ofereceu-lhe novamente a droga, mas ela recusou, já não era sem tempo!! A partir de então, a vida começa a sorrir de novo para ela. O amor ressurge. Um rapaz que sempre fora apaixonado por ela, a convida para sair e ela aceita. Seria o recomeço de uma nova vida ??!

Do livro  VIDA DE DROGA DE WALCYR CARRASCO/ 1998