quinta-feira, 26 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
RESUMO SOBRE VIDAS SECAS
O LIVRO VIDAS SECAS DE GRACILIANO RAMOS CONTA A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA DE RETIRANTES: FABIANO, SINHÁ VITÓRIA E SEUS DOIS FILHOS. AH, E A TÃO ESTIMADA CACHORRA BALEIA. SAÍRAM DA CAATINGA FUGINDO DA SECA E ATRAVESSARAM O SERTÃO PERNAMBUCANO COM A ESPERANÇA DE ENCONTRAR UM LUGAR MELHOR PARA VIVER. NÃO QUERIAM MORRER DE FOME. ATÉ QUE NA DURA TRAVESSIA ENCONTRARAM UMA FAZENDA VELHA ABANDONADA. INSTALAM-SE NELA E POR UM INSTANTE FABIANO SENTE-SE NUM PARAÍSO. SONHA QUE DIAS MELHORES VIRÃO.
RESUMO VIDA DE DROGA
Ela procurou vários amigos, pediu ajuda, mas ninguém a acolheu. Daí foi para a rua para tentar viver como prostituta, mas não dava para o negócio. Tornou-se mendiga. Cansou da rua e procurou a mãe de Elias, Dona Clarice, que a ajudou e depois chamou a mãe dela. Mais uma vez sua mãe tenta ajudá-la e o seu padrasto Paulo paga um novo tratamento. Ela recuperou-se, mas não volta para casa, pois o clima de hostilidade era constante.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
RESUMO: OS DESVALIDOS
Os Desvalidos, romance de memórias, retrata a trajetória infeliz do sertanejo Coriolano. O qual teve sua casa invadida por Lampião, ainda na sua juventude, mas consegue fugir, deixando para trás sua terra natal: o Aribé.
SOBRE O AUTOR
VISTO PELA CRÍTICA COMO UM DOS MELHORES ROMANCISTAS DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA, VEM SURPREENDENDO A TODOS COM UMA FICÇÃO DE CARÁTER REVOLUCIONÁRIO COMPARADO APENAS A GUIMARÃES ROSA.
ENTROU PARA O MUNDO LITERÁRIO EM 1991 AO PUBLICAR COIVARA DA MEMÓRIA, OBRA QUE MEXEU COM O CENÁRIO NACIONAL. EM 1993, PUBLICA OS DESVALIDOS, UMA FICÇÃO REGIONALISTA RETRATANDO BEM A RIQUEZA LINGUÍSTICA DA CULTURA POPULAR COM O TOM PRÓPRIO DO ESCRITOR CULTO. UM ROMANCE QUE SEGUE AS DIREÇÕES TRADICIONAIS DE NOSSA FICÇÃO, ENRIQUECENDO-A, DIVERSIFICANDO-A, INOVANDO-A. ISSO, PELA ADOÇÃO DE NOVOS TEMAS, COMO POR EXEMPLO, A INTRODUÇÃO DE PERSONAGENS DOS CHAMADOS GRUPOS MARGINALIZADOS. NESTA OBRA CHICO DANTAS RETRATA A DIGNIDADE HUMANA NA PESSOA DO SERTANEJO NORDESTINO.
Marlucy
ARTIGO: O PODER IDEOLÓGICO DA LINGUAGEM
Marlucy
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O SEMPRE AMOR

amor é a coisa mais triste
Amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
Amor é a coisa mais triste
Amor é coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra-sabão.
Alegre ou triste,
amor é coisa que mais quero.
domingo, 11 de abril de 2010
**RECLAME**
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
...ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
CHACAL
sexta-feira, 9 de abril de 2010
...............................
"Teremos de nos arrepender nesta geração não tanto das ações das pessoas perversas, mas dos pasmosos silêncios das boas pessoas."
...............................
"Vamos agradecer aos idiotas. Não fosse por eles não faríamos tanto sucesso."
................................
Plagiar, é implicitamente,
admirar.
DIZEM
Esquecem.
Não dizem?
Disseram.
Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.
Por que
esperar?
__Tudo é
Sonhar.
O poeta julga que, quando as pessoas falam sobre qualquer assunto, não dão muita importância as palavras e logo se esquecem do que foi dito. Quando silenciam é como se falassem: "Não estamos a fim de dizer nada".Quando, em vez de dizer, as pessoas fazem algo ou cruzam os braços, não faz diferença. Conclui então: melhor que esperar o que as pessoas dirão ou farão é simplesmente sonhar com o que elas diriam ou fariam.
sexta-feira, 26 de março de 2010
POEMA DO TEMPO

Tem o comum que se acha importante
Tem o diamante que sabe que é pedra
Tem a pedra que se acha diamante
Enquanto isso, o tempo passa levando
Comuns, importantes, pedras e diamantes
quarta-feira, 17 de março de 2010
CECÍLIA MEIRELES-CÂNTICOS
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
sexta-feira, 12 de março de 2010
UM POEMA CECILIANO
"Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...
Detrás de grossas paredes,
de leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
sem peso de ação nem de hora...
- e estais no bico das penas,
- e estais na tinta que as molha,
- e estais nas mãos dos juizes,
- e sois o ferro que arrocha,
- e sois barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!
Ai, palavras, ai, palavras,
ídeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto,
promessas que o mundo sopra...
Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?
- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- o olho ardente da perfídia,
a velar, na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro de perguntas,
com sangue em cada resposta;
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
- sois madeira que se corta,
sois vinte degraus de escada,
- sois um pedaço de corda...
- sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
- sois um homem que se enforca!
domingo, 7 de março de 2010
LITERATURA DE AUTORIA FEMININA
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar a bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-dor não é amargura
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado
No ano de 1950 falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos. Nessa época conclui o curso ginasial no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração, naquela cidade.
No ano seguinte inicia o curso de Magistério na Escola Normal Mário Casassanta, que conclui em 1953. Começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho em 1955.
Em 1958 casa-se, em Divinópolis, com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A. Dessa união nasceriam cinco filhos: Eugênio (em 1959), Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966).
Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciam o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis.
Em 1972 morre seu pai e, em 1973, forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.
Que tal acessar alguns sites para conhecer mais sobre escritoras brasileiras?!
http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/catalogoIndex.html
http://www.rebra.org
Sugestão de leitura:
NOVAES, Nelly. Dicionário crítico das escritoras brasileiras. Editora Escrituras.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
POESIA DE VIEIRA NETO
Sinto-me vazio:
Esterilizei-me
Para ser apenas
Uma árdua espera
Sou a causa
De mim próprio
Sou porque quero ser
Sou o próprio começo
( Do livro EU CONSCIENTE de VIEIRA NETO)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
"PROFUNDO"
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. então você trabalhaa 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, naõ tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
PROFESSOR E PROFESSORA
As bolas de papel na cabeça,
Os inúmeros diários para se corrigir,
As críticas, as noites mal dormidas...
Tudo isso não foi o suficiente
Para te fazer desistir do teu maior sonho:
Tornar possíveis os sonhos do mundo.
Que bom que esta tua vocação
Tem despertado a vocação de muitos.
Parece injusto desejar-te um feliz dia dos professores,
Quando em seu dia-a-dia
Tantas dificuldades acontecem.
A rotina é dura, mas você ainda persiste.
Teu mundo é alegre, pois você
Consegue olhar os olhos de todos os outros
E fazê-los felizes também.
Você é feliz, pois na tua matemática de vida,
Dividir é sempre a melhor solução.
Você é grande e nobre, pois o seu ofício árduo lapida
O teu coração a cada dia,
Dando-te tanto prazer em ensinar.
Homenagens, frases poéticas,
Certamente farão parte do seu dia a dia,
E quero de forma especial, relembrar
A pessoa maravilhosa que você é
E a importância daquilo do seu ofício.
É por isto que você merece esta homenagem
Hoje e sempre, por aquilo que você é
E por aquilo que você faz.
Felicidades!!!
(autor desconhecido)
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O LIVRO NO SÉCULO XXI
O fato é que a globalização em que vivemos atualmente nos proporciona um mundo movido de informações tecnicamente prontas. A sobrevivência no século XXI está ligada a um estilo de vida superficial que computa a proposta vantajosa da atual tendência. Nesse sentido, o livro não seria um invento ultrapassado para um século tão informatizado???
Pena que essa busca de informação fácil tem cada vez mais limitado a imaginação das pessoas, que ao deixar de exercitá-la se conformam em superficializar o conhecimento. É verdade que as redes digitais facilitaram, como nunca, o acesso a qualquer tipo de informação, mas também é fato que facilitaram a apropriação de reflexões dos outros. É sabido que muitos alunos, na hora de fazer as lições, montam uma colagem de textos encontrados na internet. "Estão perdendo o hábito de ler um livro inteiro e fazer um resumo." Pula-se velozmente de galho em galho digital, numa interatividade hiperativa. A hipótese é que, por isso, sairia prejudicada a busca de profundidade.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
AULA DE PORTUGUÊS
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A ARTE DE SER FELIZ
HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir da altura da janela; e mesmo que a ouvisse,não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
MAS, quando falo dessas pequenas felicidades, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
domingo, 30 de agosto de 2009
RESUMO SOBRE O CONTO: FELICIDADE CLANDESTINA
A tortura se deu de forma mais cruel ao dizer a menina que tinha o livro Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato. O sonho da nossa boa menina era lê-lo! Diz que vai emprestá-lo, porém não o faz. Dando a ela a esperança de que o faria depois.
Marlucy
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com sua letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
POESIA MARGINAL
Foi no princípio dos anos 70 que os primeiros poetas marginais apareceram. Sem espaço para editar seus livros nas grandes editoras (que também sofriam censura) e desprezando qualquer ideia de prestígio intelectual, eles bolaram uma saída bastante caseira e interessante. Começaram a imprimir seus poemas em mimeógrafos, fzendo edições artesanais de seus livros. Esses livrinhos passaram a circular de mão em mão. Assim, a designação marginal se restringia ao modo de circulação dos livros(à margem da indústria editorial) não se referindo nem ao estatuto literário dos textos nem à condição social dos autores , em grande parte pertencente à classe média ou mesmo à elite.
Chacal (Ricardo Carvalho Duarte), um dos primeiros representantes desse movimento, coloca em seus versos àfala cotidiana , incorporando recursos como a linguagem dos jornais e as gírias, sempre com muita graça e suíngue. Nascido no Rio de Janeiro em 1951, Chacal continua em plena atividade, fazendo leituras públicas e publicando poemas.
terça-feira, 24 de março de 2009
PRESENÇA
teu perfil exato e que apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos ...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu te sentir
como sinto __ em mim __ a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meu olhos para ver-te!
Mario Quintana
segunda-feira, 16 de março de 2009
AO SHOPPING CENTER
Pelos teus círculos
vagamos sem rumo
nós almas penadas
do mundo do consumo
De elevador ao céu
pela escada ao inferno:
os extremos se tocam
no castigo eterno.
Cada loja é um novo
prego em nossa cruz.
Por mais que compremos
estamos sempre nus
nós que por teus círculos
vagamos sem perdão
à espera (até quando?)
Da Grande Liquidação.
(José Paulo Paes. Prosas seguidas de odes mínimas. S. Paulo: Companhia das letras, 2001. p.73)
sexta-feira, 13 de março de 2009
A TV NOSSA DE CADA DIA
O mais comum vermos na TV aberta:
*Novelas que apelam para os nossos sentidos, mas isso só não basta, é preciso mais, então apelam para a nossa inteligência, injetando doses de vale a pena ver de novo, aí sim, corpo e mente estão bem servidos....
*Programas de auditório recheados de besteirol, picos de audiência são o maior estímulo, vamos ao vale tudo, mulheres seminuas, sentimentalismo barato, quadros bizarros, piadas sem graça, notícias sensacionalistas, feitos exclusivamente para passar o tempo, ou melhor, encher o saco do telespectador...
*Os Reality shows, a exemplo do Big Brother Brasil, que bate o recorde em audiência, eleito “o programa” , afinal já está em sua 9ª edição, agora por quem??? Nele, o telespectador liga e até tira o participante da “jogada”, depois dizem que a TV não é interativa!!!
*Programas de “humor”, tipo Pânico na TV, esse é de dá calafrios..rsrs... É pra morrer de rir ou morrer de desgosto???
*E os programas de caráter religioso ou econômico?? que em nome de Deus tudo fazem para apelar para as pobres almas pecadoras...
*Quais as opções que nos restam????
*Existe outra coisa que o telespectador possa fazer que não seja mudar de canal ou desligar a TV???
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
FRASES DE GUIMARÃES ROSA
"Felicidade se acha é em horinhas de descuido."
Guimarães Rosa
"Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."
Guimarães Rosa
SAUDADE
De alguém, de algum lugar, de algo enfim.
Súbito o não toma forma de sim
Como se escuridão se pudesse a luzir
Da própria ausência de luz
o clarão se produz,
o sol na solidão.
Toda saudade é um capuz transparente
Que veda e ao mesmo tempo traz visão
Do que não se pode ver
Porque se deixou pra trás
Mas que se guardou no coração.
Gilberto Gil
O CENTENÁRIO ON-LINE DE MACHADO
- http://www.machadodeassis.org.br/ Site exclusivo, com arquivo detalhado
- http://www.machadodeassis.net/ Informações biográficas e bibliográficas
- http://www.dominio-publico.gov.br/ Downloads gratuitos de textos de Machado
- http://www.machadodeassis.unesp.br/ Acervo completo das crônicas de Machado, parte da obra pouco explorada pela crítica
sábado, 6 de dezembro de 2008
ANÁLISE: POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
De Alguma poesia (1930) Carlos Drummond de Andrade
Chama-se Poema de sete faces, por ser uma composição de sete estrofes e, em cada uma delas, o eu-lírico vai revelando seus sentimentos ou jeito de ser.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
ARIANO SUASSUNA NO PROGRAMA DO JÔ
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
MACHADO DE ASSIS:UM GÊNIO CONSTRUÍDO PELA LEITURA
Seria ele um gênio? Qual o mistério de tamanha proeza? Simplesmente leitura, leitura, leitura.................... mas com empenho e seriedade. Livros naquela época eram uma relíquia, só a elite tinha acesso, entretanto, Machado, misteriosamente, encantou-se por eles. Por isso, aproximou-se de Francisco de Paula Brito, dono de uma livraria e começou a trabalhar com ele. Desse modo, pôde construir a sua genialidade, na medida em que convivia com as grandes obras literárias e, ao mesmo tempo, exercitava de forma permanente a escrita.
Portanto, não foi agraciado pela natureza com uma habilidade linguística inata, como alguns poderiam pensar, mas sim, foi um apaixonado pela leitura e transformado por ela, que dedicou quase sua vida toda a desenvolver esta maravilhosa arte.Marlucy
domingo, 28 de setembro de 2008
O EXEMPLO DAS ROSAS
Uma mulher queixava-se do silêncio do amante:
- Já não gostas de mim, pois não encontras palavras para me louvar!
Então ele, apontando-lhe a rosa que lhe morria no seio:
- Não será insensato pedir a esta rosa que fale?
Não vês que ela se dá toda no seu perfume?"
Manuel Bandeira
sábado, 13 de setembro de 2008
DISTÂNCIA
E as águas mal se moviam,
tudo que era meu chorava
da mesma melancolia.
Outras lágrimas nasceram
com o nascimento do dia:
só de noite esteve seco
meu rosto sem alegria.
(Talvez o sol que acabara
e as águas que se perdiam
transportassem minha sombra
para a sua companhia...)
Oh!
mas nem no sol nem nas águas
os teus olhos a veriam...
_que andam longe, irmãos da lua,
muito clara e muito fria...
(Do livro Viagem de Cecília Meireles)
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
SEXOS DA VÍRGULA
Na frase: " Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura".
Se você for mulher, é bem possível que coloque a vírgula depois de "mulher".
Mas, se você for homem, é bem possível que a vírgula venha depois de"tem".
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
O PARNASIANISMO: UM ESTILO ALIENADO
A alienação desta arte se deve ao fato de que não há liberdade no fazer poético. O rigor formal não permite que o poeta crie livremente . Este fica preso a um estilo que idolatra a beleza da "perfeição". O seu universo se restringe a arte poética, a fazer arte sobre arte. Não se escreve de outra maneira . A metalinguagem é o único assunto. O poeta não pode expressar os seus sentimentos e nem falar de problemas sociais que afligem a sociedade.
Além disso, só a burguesia tinha acesso à literatura parnasiana, já que o alto teor da linguagem empregado nesta literatura, fazia com que o entendimento estivesse ao alcance de poucos. Apenas os altamente letrados estariam aptos a escrever e também a entender. Da burguesia para a burguesia. Um verdadeiro círculo vicioso! O perfeccionismo formal era tamanho que não permitia o fácil entendimento das ideias. Então, para os iletrados era praticamente impossível dicernir o queria dizer esta poesia. Entretanto, a aplaudiam...Afinal , uma poesia com formas tão requintadas, quem não se apaixonaria?!
É comum que a literatura seja um meio de denunciar as falcatruas do mundo , os conflitos do homem e qualquer coisa que esteja relacionada ao ser humano. Como é sabido, não se escreve do nada, sempre se toma como referência alguém ou alguma coisa para compor poemas. Não podemos afirmar que os parnasianos compunham do nada, mas utilizavam-se de temas, objetos completamente alheios à realidade. Como por exemplo, tinham como referência os clássicos da Grécia Antiga, exatamente para desvincular o leitor do mundo real e fazê-lo "viajar na maionese", de forma que esse leitor ficasse limitado à superficie das palavras e não se envolvesse com a parafernália cotidiana. A intenção era essa!
Daí, o Parnasianismo ser uma arte que se esgota em si mesma. Semanticamente, é uma poesia pobre. O leitor como foi dito antes, limita-se a ler a superficialidade das palavras, pois estas não dão margem a mais de uma interpretação. O conteúdo de um poema parnasiano se refere a um único assunto e é desvinculado da vida, ou seja, é extremamente escasso de sentido.
Poesia não serve para denunciar os problemas reais, muito menos menos para expressar os sentimentos do poeta, assim pregavam os parnasianos. Em outras palavras, a realidade social e humana não era contemplada, pois não tinha nenhum valor para estes. Para eles, o objetivo maior da arte não é tratar dos problemas corriqueiros, mas alcançar à "perfeição" em sua construção: rimas métricas, vocabulário seleto, equilíbrio, controle das emoções, etc. Isto era extremamente maléfico para a sociedade e para eles mesmos, principalmente, porque desprezavam os temas individuais, de tal forma , que propunham o aniquilamento do próprio eu.
Se fizermos uma análise profunda do "caos" deste período literário, veremos que o mesmo se constitui uma poesia alienada, porque reforça o atraso e o subdesenvolvimento do Brasil. Ela reflete a dependência cultural do nosso povo. Põe em evidência a extrema pobreza intelectual dos escritores, pois estes copiavam os padrões metropolitanos europeus em geral. Com efeito, na medida em que não existia público suficiente, os parnasianos escreviam como se na Europa estivesse o seu público ideal e assim se separavam de sua terra. Isto dava nascimento a obras que os autores e leitores consideravam altamente requintadas, porque assimilavam as formas e valores da moda européia. Mas que infelizmente não passavam de mera alheação cultural não justificada pela beleza da forma.
Assim, a poética parnasiana em nada elevou a capacidade intelectual , social e muito menos, o senso humanitário das pessoas. Apenas foi mais um "estilozinho" que veio para contrariar o Romantismo , isto é, negando qualquer sentimento, dando lugar ao culto da forma. Como dizia o pai do Parnasianismo, Olavo Bilac: " Deusa Serena, Serena Forma". Além disso, nada mais há.
Marlucy
